Medo da dor ainda gera ansiedade em pacientes, mas sedação e preparo adequado tornam os procedimentos mais confortáveis

Dor abdominal persistente, diarreia frequente, alterações nas fezes e perda de peso sem explicação podem estar relacionadas a diferentes problemas do aparelho digestivo, desde doenças inflamatórias intestinais (DIIs) ao câncer colorretal. A investigação dessas alterações pode incluir exames como endoscopia e colonoscopia. A perspectiva de passar por esses procedimentos, no entanto, pode vir acompanhada de receio.

Segundo revisão publicada em 2026 na Revista Brasileira de Enfermagem (RBE), que analisou 24 estudos sobre colonoscopia, o medo da dor, do diagnóstico e de possíveis complicações está entre as principais preocupações dos pacientes. Os pesquisadores apontam que esses fatores podem gerar ansiedade e estresse, além de influenciar a adesão ao exame.

A atenção a essas barreiras se torna ainda mais importante diante do tempo necessário para identificar algumas doenças digestivas. Nas DIIs. por exemplo, 41% dos pacientes levam, em média, 12 meses para receber o diagnóstico, conforme informações do Ministério da Saúde. As condições atingem mais de cinco milhões de pessoas no mundo.

A colonoscopia está entre os exames utilizados nessa investigação e é considerada padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento de diferentes alterações gastrointestinais. A revisão publicada na RBE aponta que o procedimento apresenta alta sensibilidade para identificar tumores, pólipos, úlceras e sangramentos ativos, além de estar associado à redução da mortalidade por câncer colorretal.

Embora o medo da dor esteja entre os receios relatados pelos pacientes, o exame é realizado com sedação. Segundo a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), após o preparo intestinal, o paciente é sedado antes da introdução do colonoscópio pelo reto. O aparelho percorre o cólon e, em alguns casos, chega à porção final do intestino delgado.

A sedação também costuma fazer parte de outros procedimentos digestivos. Na endoscopia digestiva alta, um aparelho flexível é introduzido pela boca para avaliar esôfago, estômago e a porção inicial do duodeno. O exame pode ser feito com anestésico em spray aplicado na garganta ou com sedação intravenosa, que permite ao paciente relaxar e adormecer.

Outro procedimento que utiliza a via endoscópica é a ecoendoscopia, que combina a visualização interna do aparelho digestivo com imagens de ultrassonografia. O exame costuma ser indicado para complementar outros achados e pode auxiliar na avaliação de tumores, lesões da parede gastrointestinal e doenças biliares e pancreáticas.

A dúvida se a ecoendoscopia alta não causa dor também pode surgir antes do procedimento. Segundo a Sobed, o exame é habitualmente seguro e bem tolerado e costuma ser realizado após a administração de sedativo intravenoso. Depois, pode haver ligeiro desconforto na garganta, que pode ser aliviado com pastilhas de anestésico tópico.

Na ecoendoscopia digestiva baixa, o procedimento pode ser realizado com segurança e conforto sem medicação prévia em alguns casos. Se o exame for mais prolongado, entretanto, o médico pode optar pelo uso de sedativo. 

Ressonância não causa dor, mas claustrofobia pode gerar desconforto

Outros exames utilizados para investigar alterações do aparelho digestivo não dependem da introdução de um endoscópio. É o caso da enterorressonância, também chamada de enterografia por ressonância magnética, que utiliza campos magnéticos e ondas de rádio para produzir imagens detalhadas da região abdominal, principalmente do intestino delgado.

Segundo informações da Rede D’or São Luiz, o procedimento pode identificar inflamações, estreitamentos, oclusões e fístulas, além de contribuir para o diagnóstico de condições como doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Para fazer o exame de ressonância magnética, o paciente permanece deitado em uma maca que desliza para dentro do equipamento e precisa ficar imóvel durante a obtenção das imagens.

Nesse caso, a dor não costuma ser uma preocupação, já que a ressonância magnética em si não provoca dor. No entanto, o Instituto Vencer o Câncer (Ivoc) explica que, quando há necessidade de contraste intravenoso, pode ocorrer um desconforto leve relacionado à punção da veia.

Fora isso, os principais incômodos ao realizar o exame costumam estar relacionados ao barulho do aparelho, à necessidade de permanecer imóvel e à sensação de ficar em um espaço fechado. Pessoas com ansiedade intensa ou claustrofobia devem avisar a equipe antes do procedimento para que a situação seja avaliada previamente, conforme alerta o Ivoc.

Preparo adequado ajuda a garantir a qualidade do exame

Além da sedação e das sensações durante o procedimento, outro ponto pode levantar dúvidas entre os pacientes: o preparo para o exame. Na colonoscopia, é necessário retirar os resíduos do interior do cólon para que o médico consiga visualizar a região adequadamente e realizar o procedimento com o máximo de segurança e eficiência, conforme explica a Sobed.

Segundo a instituição, o preparo intestinal pode incluir dieta, uso de laxativos e, eventualmente, lavagens, de acordo com o protocolo adotado por cada serviço de endoscopia. Quando as orientações não são seguidas adequadamente, a visualização pode ficar comprometida e o procedimento pode precisar ser repetido.

Na endoscopia digestiva alta, o estômago também precisa estar vazio. A Sobed orienta jejum de oito horas antes do procedimento. A mesma recomendação vale para a ecoendoscopia alta, enquanto a modalidade baixa pode exigir preparo semelhante ao da colonoscopia, com solução para limpeza intestinal, laxantes ou enemas, seguindo indicação médica.

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