Mais da metade dos adultos brasileiros de 35 a 44 anos avaliados em uma pesquisa nacional apresentou necessidade de tratamento odontológico, segundo avaliação clínica. O dado, publicado em abril de 2025 pela revista Brazilian Oral Research a partir de informações do SB Brasil 2023, mostra que a percepção sobre a própria saúde bucal nem sempre é suficiente para identificar problemas. No estudo, 55,2% dos 9.019 participantes avaliados foram classificados com necessidade de tratamento.
Nesse contexto, até um hábito aparentemente simples, como escovar os dentes, merece atenção. Aplicar força excessiva durante a escovação pode traumatizar a gengiva e contribuir para desgaste da estrutura dental. Um dos sinais que podem indicar pressão exagerada é perceber que as cerdas da escova ficam abertas ou deformadas rapidamente. Sensibilidade e desconforto na gengiva também são sinais que devem ser avaliados por um dentista.
“Mais força não significa uma limpeza melhor. Uma boa escovação depende mais da técnica do que da pressão aplicada sobre os dentes”, explica a Dra. Larissa Lemme, dentista na Odonto Special São José dos Campos. “O ideal é fazer movimentos suaves, alcançando todas as superfícies, inclusive a região próxima à gengiva”, reforça a dentista.
A recomendação é segurar a escova sem apertar excessivamente o cabo e evitar movimentos agressivos. Especialistas recomendam escovas de cerdas macias e pressão suave, enquanto o Ministério da Saúde também orienta cuidados para evitar uma escovação traumática. A escolha da escova deve considerar as características de cada paciente e pode ser orientada pelo dentista.
“Se as cerdas se deformam rapidamente ou a pessoa percebe retração da gengiva, desgaste ou sensibilidade, não é possível concluir apenas pela observação que a causa é a força da escovação. Esses sinais podem ter diferentes origens e precisam de uma avaliação profissional”, ressalta a Dra. Larissa.
Mais do que aumentar a pressão, portanto, o cuidado está em manter uma rotina de higiene adequada e observar os sinais que a boca apresenta. “A escovação é parte importante da prevenção, mas não substitui o acompanhamento odontológico. Quando existe dor, sensibilidade persistente, sangramento, retração ou desgaste, o ideal é investigar a causa e receber uma orientação individualizada”, conclui a dentista.
